O castelo de cartas voltou a cair.

16:23


 Nas últimas duas semanas não se aguentou nenhum. Estou fechada num quarto de hospital à pelo menos dois meses. Não me lembro de como vim cá parar, bem, tenho uma leve lembrança, mas já não consigo distinguir quais das minhas memórias são verdadeiras. Construo de novo o castelo mas este volta a cair.
- Olívia.- Aquela voz… É a primeira voz que oiço em meses, sem ser das enfermeiras ou do médico. 
 Aquela voz… A voz provoca-me arrepios no corpo. 
 Aquela voz… A voz que me invade o sono à noite. Sem pensar muito mais já sei de quem se trata. 
 Aquela voz… Aquela doce voz que nunca mais pensei em voltar a ouvir. 
 Levanto-me da cadeira e viro-me para o abraçar, mas de olhos fechados. Não quero encarar o seu olhar reprovador, pelo menos ainda.
 Abraço-o como se tivesse a pedir desculpa pois não o consigo encarar para o fazer. Ele hesita mas acaba por me envolver nos seus abraços só que aquele não é o abraço que esperava. 
 Não é o abraço que me fazia sentir em casa, não é o meu abraço que me fazia sentir feliz mesmo quando o meu mundo estava prestes a ruir. Aqueles não são os braços fortes que me protegiam nas noites frias de inverno.
 Afasto-me e, pela primeira vez em vários meses, olho-o nos olhos e só consigo mostrar desilusão no olhar quando devia ser totalmente o contrário, quando devia ser eu a desilusão.

Carolina C.

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