Sonhos perdidos

17:48



Enquanto falava reparei que a minha voz tremia e senti um nó na garganta a formar-se. As lágrimas não iam tardar e abriu-se um buraco no meu coração.

Foi nesse dia que percebi o quanto me afectava falar do que eu queria para a minha vida. O quanto me doía ter desistido de um sonho sem me dar conta. Percebi que me tinha rendido completamente às probabilidades e que me tinha conformado com a suposta impossibilidade desse sonho.
E isso magoou-me.
Magoou-me ter-me deixado arrastar quando sentia um impulso maior que a vida para voar. Magoou-me que me tivesse deixado domar quando a minha alma era infinitamente selvagem. Magoou-me que o meu futuro já não pertencesse, que tivesse abdicado do seu controlo. Magoou-me ter deixado as cores do meu arco-íris apagarem-se sem mais nem menos.
Deixei a sonhadora em mim morrer e entreguei-me à indiferença, ao possível.
Eu não era assim.
Eu não me deixava dominar pelo que os outros queriam para mim. Não me deixada dominar pelo normal, pelo aceitável e correto. Eu nunca fui correta, muito menos aceitável. Eu não me lembro de alguma vez me ter sentido normal. Eu não me contentava, queria sempre mais. Eu era inconsolável e tinha uma sede de felicidade incomparável. Mas da minha felicidade. Não reconheço esta conformada com a vida, esta pessoa que esconde quem realmente ser.
Quando é que deixei de me questionar e de sonhar?
Quando é que me esqueci que também eu tenho voz e de que sou eu que controlo a minha vida?
O que é que me aconteceu?


Carolina C.




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