Olá, velha amiga.

20:31


Reparo que já faz algum tempo que aquilo que nos unia era a amizade, se é que mesmo antes lhe poderíamos chamar amizade. Sempre foste um sítio onde me sentia segura, onde me era mais fácil "viver" e, ainda hoje, me vejo mergulhada nessa sensação de vazio que me trazias e para onde muitas vezes gostava de voltar. 
Mas lembras-te daquela última carta? Lembras-te do quão vazia e triste me tornaste? Provavelmente não e, provavelmente, nem te importas, como sei que nunca fizestes. Foi em 2012 que chegaste mas, prometo-te, hoje é o nosso último dia, a tua última oportunidade. 
Mas não era justo, pois não? Não era justo depois de tudo ainda te dar esta última oportunidade quando nestes quatro anos nunca foste justa comigo. E estou cansada de lutar contigo e de tentar mandar-te embora. E já não consigo mais. Estou farta das noites sem dormir, dos dias vazios. Tornaste-me fria e distante e fraca. Nos últimos anos, obrigaste-me a sobreviver à beira do precipício vezes sem conta, sem nunca saber se iria sobreviver mais aquele dia. Deus, fizeste-me não querer sobreviver. Fizeste-me querer saltar do precipício. Estou farta que me venhas sempre tirar a pouca vida que ainda tenho dentro de mim e de que ganhaes sempre este jogo. Mas foi a última vez.
Por isso, tudo o que precisas de saber é que não me vou esquecer. Por muito baralhada que esta minha mente seja, não esquecerei esta "vida" mas não me controlas mais. Esta sou eu a libertar-me de ti para sempre. Vão haver sempre certos dias mas não te darei o prazer de arruinares a minha vida uma vez mais, nunca mais.
Vou seguir em frente mas não esqueço. Não esqueço e não esquecerei a miúda de treze anos que arruinaste enterrando-a em todos os seu medos. Mas ela já não me define como sempre quiseste que o fizesse, já não me enterras nos meus medos. Desta vez, os medos são só isso e, desta vez, os medos são para serem pisados no caminho da felicidade tal como fizeste tantas vezes comigo.

E, contudo, deixo-te mas levo-te comigo. 

Deixo-te mas não te esqueço. 
Afinal, não era justo, pois não?



Carolina C.

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